Sábado, Novembro 14, 2009

Digníssimo

Sábado, Novembro 14, 2009
Quando dói, eu escrevo. Ou pelo menos quero escrever. Seja lá qual for o tipo de dor, os textos se formam perfeitamente aqui dentro. Escrevo mentalmente. Quando vou materializar minhas palavras, elas acabam tomando um rumo totalmente diferente. Ou talvez nem tanto. Mas nunca é igual. Depende do tempo que se passou entre pensar e materializar. Como agora. Escrevi mais cedo, mas materializando, não é nada daquilo que pensei.
E isso tudo aí que pesa tanto, dói tanto, acaba me deixando mais leve. Deve ser por isso que amo tanto.


There's no dark side of the moon really. Matter of fact it's all dark.
Digníssimo. Digno de aplausos intermináveis.

I can't think of anything else to say except...
I think it's marvellous!

Terça-feira, Novembro 10, 2009

Inha

Terça-feira, Novembro 10, 2009
Escrito numa noite entediada de sábado. Especificamente, dia 7 de novembro deste ano.


Tenho fome, mas não sei o que quero comer. Essa luz da sala não é muito boa. Calor. Dá preguiça de comer. Iracema está me olhando ali. É, aquela mesma. A virgem dos lábios cor de mel. José de Alencar que me desculpe, mas não vou continuar lendo essa coisa agora. Não mesmo. É muita rebuscagem em um livro só.
Rebuscagem. Essa palavra existe? Que seja. Não importa.

Lá vem aquela tristezinha de novo. Ela sobe lá do meu estômago e chega no meu peito. Não é fome, veja bem. É tristezinha. Um vazio que acaba não se preenchendo. Aliás, como se preenche um vazio desse tipo? Ele é existencial? Quase. É sim. Matar a fome é fácil. É só comer alguma coisa. Mas essa minha fome não morre fácil. É fome de vida. De sentir. Viver mesmo. Até a última gota. Ser eu, até meu último fio de cabelo. Mas aí dói. Deve ser a tal da tristezinha. Pior que ela é tão inha que nem vale a pena chorar. Lágrimas não aliviam essa tal de inha. Irritante. E eu ainda nem chorei. Nem vou chorar. Não quero. Damien? Não. Não quero fossa. Jeff Buckley, pega essa sua voz diliça e vem cá! Aliás, eu agradeceria se esse mal contato acabasse de uma vez. Ficar segurando meu MP4 na mão é bem chato. Tá estragando a música, sabia? Ficar brigando por uma posição confortável não dá muito certo.
Eu. Pasta verde para apoiar as folhas bonitinhas. Essas decoradas com o Mickey e a Minnie, nas quais quase nunca escrevo na falta de um computador. E a pasta carregada de textos acadêmicos. Alguns bons, a maioria não. Posição. Meio inclinada, jogada no sofá-cama duro que, aliás, é a minha cama desde o início desse semestre. Meio que me apaguei a essa coisa aqui. Calor. Eu. Que feio, menina. De vestido, uma das alças caída, cabelos displicentemente presos. Sente-se como uma moça. Os apresentadores do Jornal Nacional, que hoje não são Fátima Bernardes e William-charme-Bonner, não querem ver sua calcinha. De que importa? Eles nem estão me enxergando de lá. E eu aqui. Um cara pirou e abriu fogo contra vários militares desarmados. Que coisa. Escorrego um pouco mais no sofá; minha bunda está começando a ficar dormente. Mas que diabos? Nos intervalos das músicas só ouço notícias de que alguém morreu. Ei, existe vida aqui!
Sandra Annenberg, querida, diga que a culpa é do mal contato. É sempre o maldito mal contato. Até perdi a vontade de comer. É tal da inha. Minha bunda dormiu de vez. E a fome, a tristezinha, a tal inha-qualquer-coisa continua aqui. Viu só? Mal contato... inha. Sempre a inha.

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

Não é isso

Segunda-feira, Novembro 02, 2009
Quero escrever há dias. Comer. Não há dias, porque hoje eu almocei muito bem, obrigada, no meu restaurante favorito. Tinha até um cara à lá Sylvester Stallone com sua namorada-loirona-gostosona. Caras grandes assim me assustam. Esse monte de músculos pode não resultar em boa coisa. Eles não me atraem em nada. Então eu acho engraçado o modo como advinho o tipo de mulher que esses homens gostam. Corpo perfeito, rosto com algumas plásticas. E loiras. Saradas. Não as invejo em coisa alguma. Já disse que homens grandes demais me assustam. Vai que um desses resolve me jogar na parede, não ia dar em boa coisa.
Sentada aqui pensando, me lembrei da dor que senti em nossos desencontros. É, aquela dor de coração partido, de quem falhou em dizer o que deveria. Deve. É uma dor que dói lá no fundo da alma, que me faz perder o ar, o rumo, a fala, a vontade de existir. Dá vontade de enterrar a cabeça no travesseiro e nunca mais sair dali. Não sair até eu chorar compulsivamente por um minuto ou dois e me sentir mais leve. Aquele choro doído. Já disse que ser eu dói. Deixar as coisas mais pesadas. Aquela dor que vai do meu pescoço até o meio das minhas costas, contornando minha omoplata, pelo peso da mala que carreguei há 4 dias. Mal jeito. Talvez não saiba mais o jeito certo de carregar coisas pesadas. Talvez eu nem deva mais carregá-las.
Não sei. Não é isso. É você. O cara à lá Sylvester Stallone devorando aquele prato gigante de comida, que não devia pesar menos de um quilo, enquanto sua namorada-gostosona-loirona e vice-versa comia uma saladinha e aquele pedacinho minúsculo de carne. Coma direito, minha filha. Frescurites culinárias me causam ojeriza.

Não é isso. Nada disso. É você, que insiste em não sair daqui.
E eu gosto disso. É isso. Você.

Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Aquele abraço

Quarta-feira, Outubro 21, 2009
Distraída em meio aos meus pensamentos, ainda meio perdida e com sono, virei meus olhos e me assustei. Nem estava pensando em você.
Oh, só fui te ver agora...
ganhei um abraço tão forte que até perdi o rumo. Um abraço que nem precisei ir buscar.
Fiquei leve, levinha.
E sabe, não me importo que você roube meu rumo assim novamente... no meio dessa perdição eu acabo me encontrando. Encontro tanto que tenho vontade de me perder de novo. Só pra você me achar, me abraçar e eu poder me esquecer por aí.
Me perder em você me faz bem e eu sou tão eu que quase não me reconheço.

E cá estou eu toda amor. Toda abraço. Toda eu.
 
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